Criação, não me importam teus faustos esplendentes
nem tuas campinas nem teu doce bucolismo
siciliano; tampouco tuas magias aurorais
ou a maravilhosa visão de teus poentes.
Eu me privo da Arte, do Homem, dos versos,
dos templos helênicos e das espirais
que no Céu vazio afundam as catedrais,
e os bons dão-me o mesmo que os perversos.
Eu não creio no Deus que me deu, cruel e cego,
a angústia de pensar, e maldigo e renego
o Amor, essa velha e trágica ironia;
sem amor à vida e temendo a morte,
sou um barco perdido ao azar da sorte,
que se fundirá na sima sem fundo qualquer dia….
* “A angústia”, traduzido do espanhol; extraído da edição “Poemas Saturnianos” (Buenos Aires, 1944)