“Há sempre razões para matar um homem. Inversamente, é impossível justificar que viva. É por isso que o crime encontra sempre advogados, e a inocência, apenas às vezes.”
Fevereiro 26, 2009
Fevereiro 16, 2009
Impiedoso,
Erro à rua fria e pálida da Sorte,
Nevoeiros de outrens:
Ensaio, em notas
de letras e morte!
Fundo, às calmarias,
engendram-se
vagas de manuseio,
desde o despertar envolto da
abnegação ao
não-poder…
Sob mim mastodontes, vestes!
Não há mais o ofício que me compete.
Humano e pleno, ó Calúnia,
lhe jogarei meu veneno
na aparência pura!
Fevereiro 12, 2009
Uma tarde arquitetando
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Junho 30, 2008
O poema “A cabeça de corvo”*, do brasileiro Alphonsus de Guimaraens
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A contemplá-lo mudamente fico
E numa dor atroz mais me concentro:
E entreabrindo-lhe o grande e fino bico,
Meto-lhe a pena pela goela a dentro.
E solitariamente, pouco a pouco,
Do bojo tiro a pena, rasa em tinta…
E a minha mão, que treme toda, pinta
Versos próprios de um louco.
E o aberto olhar vidrado da funesta
Ave que representa o meu tinteiro,
Vai-me seguindo a mão, que corre lesta,
Toda a tremer pelo papel inteiro.
Dizem-me todos que atirar eu devo
Trevas em fora este agoirento corvo,
Pois dele sangra o desespero torvo
Destes versos que escrevo.
*Extraído de “Kiriale” (1891-1895)
Junho 20, 2008
O poema “L’angoisse”*, de Paul Verlaine
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Criação, não me importam teus faustos esplendentes
nem tuas campinas nem teu doce bucolismo
siciliano; tampouco tuas magias aurorais
ou a maravilhosa visão de teus poentes.
Eu me privo da Arte, do Homem, dos versos,
dos templos helênicos e das espirais
que no Céu vazio afundam as catedrais,
e os bons dão-me o mesmo que os perversos.
Eu não creio no Deus que me deu, cruel e cego,
a angústia de pensar, e maldigo e renego
o Amor, essa velha e trágica ironia;
sem amor à vida e temendo a morte,
sou um barco perdido ao azar da sorte,
que se fundirá na sima sem fundo qualquer dia….
* “A angústia”, traduzido do espanhol; extraído da edição “Poemas Saturnianos” (Buenos Aires, 1944)
